Antigo Lixão de Limoeiro é transformado em vegetação viva no povoado Gulandim

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Após arborização, prefeitura anuncia novos projetos no local, como área de lazer.

Sentada na cadeira de plástico da varanda de casa, a aposentada Helenice Francisca olha a vegetação logo a frente e lembra bem quando, há pouco mais de três anos, aquele terreno era  famoso: o problemático Lixão do povoado de Gulandim, no alto do município Limoeiro de Anadia. Nesta terça-feira, 28,  integrantes do projeto Com-Vida foram ao local junto ao prefeito Marcelo Rodrigues, e demais representantes das secretarias, para iniciar um plantio de mudas. Durante o impulsionamento da recuperação da área, a prefeitura anunciou o início de mais uma etapa: a construção de uma área de lazer.

“Vim procurar o lixão, e não encontrei mais”, começou  o prefeito Marcelo Rodrigues, que tem acompanhado todo o processo de reparação da área degradada. Segundo o gestor, tudo começou com a destinação correta do lixo. “Em 2016 começamos o trabalho. Hoje damos destino correto ao lixo, que vai para a Central de Tratamento de Resíduos, em Craíbas. E agora é uma satisfação ver a área também se recuperando naturalmente”, comenta.

Segundo o prefeito, além de realocar o lixo produzido, o Município efetuou, ainda, limpeza no local, preparando o terreno para dar lugar ao verde. A natureza por sua vez, também fez sua parte.

Com a área devidamente preparada para uma próxima etapa de recuperação, o mutirão hoje foi concentrado no plantio de mudas ao redor do terreno. De acordo com a coordenadora do Com-Vidas, Jakeline Guilherme, a ação tem o objetivo de fortalecer o que a natureza já tem feito por si.  “Com os resíduos destinados ao aterro do Conagreste, a vegetação está se recompondo aqui e estamos dando uma forcinha para intensificar essa regeneração. É uma ação importantíssima, para que a história do antigo lixão seja apagada e esta área aqui seja conhecida como uma área de vegetação natural, com suas espécies nativas específicas de áreas de transição entre Mata Atlântica e Caatinga”.

De acordo com o secretário de agricultura, Zezinho Ferreira, a ideia é ir além da arborização. “´Pretendemos fazer um bosque, uma praça simples e, logo mais atrás, um campo society.  A ideia é, além de recuperar o antigo lixão, transformar esse espaço em uma área de lazer, para que os moradores possam usufruir. Aquilo que antigamente era um problema, que causava danos à saúde, hoje queremos que se transforme em uma área que promova a saúde, o bem estar. Essa ideia do prefeito  Marcelo, das secretarias de Agricultura, Meio Ambiente, Educação, e de Obras, e dos Com-vidas,  é para que possamos elaborar junto a solução”.

Transtornos conhecidos ficaram para trás

Era novembro de 2015, quando os moradores do povoado de Gulandim fecharam a entrada da rua e acamparam na área que antes era o lixão, com faixas e cartazes. Foi o estopim de décadas de  cansaço. A comunidade era arrastada  há dezenas de anos ao adoecimento provocado pela fumaça do lixão, além das moscas, pragas, sujeira,  e fortes odores.

“A quentura era muito grande e, volta e meia, incendiava tudo por conta própria. As pessoas mais velhas não aguentavam e iam para o hospital. Não aguentavam o mau cheiro. As crianças adoeciam muito. Por aqui só não morreu quem Deus não quis. E quem teve mais cuidado.”, relembrou Helenice.

A coordenadora do Com-Vida completa: “Esse lugar tanto provocou transtornos de caráter ambiental, como social. Os moradores se incomodavam bastante com problemas de odor, insetos, pragas que culminavam em riscos à saúde, devido ao acúmulo de lixo”.

Ao longo dos anos, Marcelo Rodrigues relembra que houve uma série de pressões e mobilizações da comunidade, até o lixão ter sido desativado pela Prefeitura, na gestão anterior. “É uma luta que vem de alguns anos. Na época, eu era secretário de Agricultura e Meio Ambiente e participei, com essa comunidade com a qual parabenizo, do gesto de manifestação. Percebi o quanto não aguentavam mais o mau cheiro, a quantidade de moscas. Foi por comoção a esse constrangimento, que lutamos juntos para que o fim do lixão chegasse. E chegou”, relata.

Esperançosa com as próximas mudanças na área, a moradora Helenice comemora.  “Foi o trator passar, e os caminhões pararem de deixar aqui o lixo, que passou tudo. Passou o mau cheiro, as doenças. Hoje consigo sentar aqui na porta e olhar para esse verde. Agora vamos esperar as outras benfeitorias”, celebra.