Em parceria com a UFAL, Limoeiro inicia projeto inédito de descontaminação da Lagoa do Pé Leve

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Instalação de filtro deverá limpar água e torná-la apta para irrigação de uma agrofloresta, também projetada para ser instalada às margens da Lagoa

 

As ações de revitalização da Lagoa do Pé Leve e seu entorno ganham impulsionamento com um projeto inédito em Alagoas: a instalação de um filtro para tratamento de água do descarte domiciliar. O equipamento, por sua vez, servirá para irrigação de uma agrofloresta, que também será colocada no trecho do Distrito do Pé Leve. Durante este mês de outubro, a Prefeitura de Limoeiro de Anadia – em parceria com a Universidade Federal de Alagoas – iniciou o  processo de tubulação e já começou o plantio de mudas.  A ação também contou com o apoio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Coruripe.
Sofrendo há anos com a redução de volume de água e descarte inadequado de substâncias poluentes, a Lagoa do Pé Leve chegou a períodos longos de seca, e em condição insalubre. De acordo com o professor do CECA, Cícero Alexandre, que coordena o projeto de reestruturação da lagoa, órgãos como Instituto do Meio Ambiente, Instituto Brasileiro de A E Meio Ambiental (Ibama), constataram que a contaminação da lagoa se dava através do esgoto advindos das residências.
“A Prefeitura procurou a UFAL que, por sua vez, produziu um projeto de tratamento cuja água pudesse ser reutilizada em um projeto de agroflorestal”, relata o pesquisador. “As primeiras ações do projeto aconteceram no ano passado e agora estamos fazendo a instalação”.
Em meio à recomendação do Ministério Público para que a água dos domicílios não contamine a lagoa, foi construído um filtro para tratamento químico, físico e biológico da água, de modo a deixá-la em condições de reutilização para irrigação.

O Filtro
Segundo o professor Cícero Cavalcante, o equipamento é composto por quatro sessões distintas. “A primeira delas recebe substrato de areia para reter partículas sólidas, papel e restos de animais. A segunda tem um substrato para retirar gases exalados que geram odores. Já a terceira trata-se de um filtro para controle de bactérias, vírus, fungos e outros tipos de micro-organismos. No entanto, a substância colocada acaba por acidificar a água, de modo que precisaremos de um quarto filtro, responsável por alcalinizar a água e deixa-la em condições ideais de PH para a planta. Por fim, colocamos uma bomba na caixa com a água tratada para fazer a irrigação à agrofloresta”, explica o coordenador do projeto.

Limpeza e Reflorestamento

Muito embora o trabalho de higienização da água seja realizado de forma sistemática, há ainda outras questões que devem interferir na saúde da Lagoa. De acordo com o professor Cícero Cavalcante, a lagoa está inserida em duas cidades: Arapiraca e Limoeiro. No entanto, cada município possui uma responsabilidade específica no ecossistema.

Estudantes da rede municipal conhecem projeto de limpeza da água e agrofloresta.

“No lado de Arapiraca não há residências, mas há as minas que abastecem a lagoa. Por isso, é preciso que haja um trabalho de reflorestamento em suas margens, para que as minas voltem à atividade normal. Já aqui do lado esquerdo, onde há uma população de aproximadamente 10 mil habitantes, o que é preciso é realizar um processo de filtramento”, esclarece.
Para o pesquisador, a exuberância da lagoa também depende do projeto de reflorestamento. “Fizemos um estudo por pedido da Prefeitura de Limoeiro, até para dar uma ajuda ao pessoal de Arapiraca, e encontramos 32 nascentes do outro lado [Arapiraca]. Ocorre que, se elas não forem bem cuidadas, não haverá água. O que alimenta a lagoa é a água subterrânea e não superficial [da chuva], porque é a água subterrânea que contribui ao longo do ano inteiro”esclarece.

Professor Cícero Alexandre mostra o processo de tubulação do filtro.

Para o secretário municipal de Agricultura, José Ferreira, é importante que o cuidado seja extensivo. “É preciso que se entenda que esse não é um projeto de cavar buraco e plantar árvore. Estamos tentando recuperar a lagoa da forma mais correta possível, após análise de solo, da água, tratamento da água, irrigação sustentável. Então é todo um sistema de cuidados”, afirma.

Em meio às ações conjuntas com a Prefeitura de Limoeiro, a Prefeitura de Arapiraca também realizou um trabalho de plantio de mudas às margens da Lagoa na cidade.

A agrofloresta

Plantas nativas e frutíferas em todos os lados, espaço para caminhada, bancos e uma arquitetura natural ideal para quem quer viver perto e de forma harmônica com a natureza. O projeto de instalar uma agrofloresta às margens da Lagoa do Pé Leve vem para melhoria da qualidade de vida dos moradores do Pé Leve – sobretudo a comunidade ribeirinha – como também para implementar uma área de convivência sustentável disponível a toda a população limoeirense.

Agrofloresta terá mudas de plantas nativas e frutíferas

“A diversificação consiste em colocar, para cada planta nativa, outras quatro frutíferas. Como a água da lagoa é salina e não pode ser utilizada para irrigação das plantas, a água que será tratada pelo filtro vai ser utilizada para a irrigação e também desaguará na lagoa”, esclarece. “Assim, tanto as plantas da agrofloresta como a Lagoa do Pé Leve, receberão água das casas de boa qualidade e utilizável para consumo”, explicou.
Para o secretário municipal de Agricultura, José Ferreira de Souza, a implantação de uma mata ciliar vem a atender a uma série de necessidades ao meio ambiente e à comunidade. Segundo dados levantados, antes da instalação do filtro, havia cinco galerias de esgoto inserindo na lagoa de 25 a 30 mil litros de água em horários de pico. “É uma outra qualidade de água que vai entrar para a lagoa. Depois desse estudo e do trabalho efetuado, a água poderá ser aproveitada e não será mais problema, e sim parte de uma solução, já que será utilizada para irrigação da agrofloresta. Agora vai ser um ganho absurdo, e teremos peixe sem correr riscos pra saúde”, conta.
Para o secretário, a possibilidade de transformar a orla lagunar em um espaço ocupado – e preservado – pelos limoeirenses é um dos maiores ganhos. “Pretendemos que aqui seja um espaço de turismo sustentável, de acampamento, piquenique, oração, um monte de coisas. E, mais do que isso, queremos chamar toda a comunidade para vir aqui e veja que o projeto é deles, que a lagoa também. E que precisamos viver com o meio ambiente em paz. Precisamos criar uma associação dos protetores da Lagoa do Pé Leve, porque no momento em que a sociedade cuidar daqui, ninguém vai mexer. Esse cuidado também faz parte do projeto. Eu cuido do meio ambiente e ele me proporciona cuidado também”, relata.