Precisão e agilidade: tablets auxiliam trabalho de agentes comunitários e reforçam assistência com humanização

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“A gente se torna da família”, resume Gilvane Ferreira Lima, agente comunitária há mais de 18 anos pela Prefeitura de Limoeiro de Anadia. De lá para cá, a profissional coleciona uma série de histórias de afeto nas residências em que realiza visitas. “Tem gente que só nos recebe na porta, para falar o necessário, mas há grupos como hipertensos, diabéticos e gestantes, que temos mais proximidade e estamos em contato todos os dias. Eles buscam em nós alguém para conversar, para contar sobre suas vidas, dificuldades”, conta.
No campo da saúde, o atendimento humanizado é definido, de modo geral, a partir de dois pilares. O primeiro deles trata-se de priorizar a necessidade dos pacientes, tornando-o protagonista de sua saúde, de sua voz. O segundo aspecto é a assistência a partir de informações seguras. Em Limoeiro, aperfeiçoamento técnico e a empatia – que já compõem a marca dos agentes comunitários de saúde – se somam ao salto de tecnologia na coleta e encaminhamento de dados, propiciado pela entrega dos 73 tablets, entregues pela Prefeitura em maio deste ano.
A dinâmica é intensa. As visitas podem ser diárias, semanais ou mensais, de acordo com a particularidade de cada paciente. “Daí acaba que a gente convive, acompanha a gestante desde o início, encaminha para médica, para enfermeira. Estamos sempre em atenção se está tudo bem, quando é o nascimento, quando é o aniversário”, comenta.
O agente comunitário Ailton da Silva, na rotina há nove anos, confirma. “Somos sempre bem recebidos. Nossa comunidade tem necessidade de atendimento via SUS e nao teria condições de dispensar o atendimento e buscar um particular. Buscamos então dar sempre essa atenção à situação que as pessoas estão”, conta.
Entretanto, para além da empatia e do comprometimento profissional com a comunidade, a assistência humanizada requer efetividade nos resultados. Com 73 agentes comunitários atuando, o município de Limoeiro efetua uma média de 1.683 visitas mensais a usuários do SUS. Cada uma das visitas é documentada e as informações cadastradas junto à Secretaria de Saúde, além de serem encaminhadas para o Ministério da Saúde, também são dispostas dentro do próprio Município para retornarem em marcações de consultas e diversos outras estratégias aos usuários e comunidade.

Quem explica toda a dinâmica é a coordenadora do E-SUS, Érica Menezes. “O E-Sus trabalha com agentes de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, fisioterapeutas, dentistas e diversas outras especialidades que englobam os serviços nos postos de saúde. Todas as informações de atendimento dos pacientes são enviadas para este sistema de informações”, relata.
A entrega dos tablets, segundo a coordenadora do E-SUS, foi uma inovação que permitiu uma agilidade maior no processo,além de precisão nas informações.
“Antes os agentes trabalhavam preenchendo tudo no papel, levando até a Secretaria, onde ainda iria acontecer a digitação. Hoje não temos essa burocracia. Automaticamente é feito o cadastro domiciliar e as atualizações, e já mandamos para o servidor da Secretaria de Saúde que, automaticamente, envia para o Ministério”.
Para o agente Ailton, a segurança das informações também um fator chave. “As pessoas ficam mais confiantes com o nosso trabalho, ao verem essa implantação. Antes tínhamos mais riscos de nos perdermos nas anotações. Com o tablet, tudo é eletrônico e já é encaminhado ao sistema. Além disso,acarreta menos despesas com folhas e menos esforços com digitação, impressão”.

ESTRATÉGIAS

A manutenção de informações atualizadas e organizadas – o que acontece de forma ainda mais sistemática com os equipamentos entregues – tem culminado em uma atuação ainda mais ampla para a população, segundo a coordenadora do E-Sus.
“Para gente, serve como tomada de decisões. Quando identificamos na central que há gestantes em determinada área com menor idade, já entendemos que temos que fazer uma ação para redução desses casos em escolas, então vinculamos outros programas, como o Saúde nas Escolas, onde trabalhamos como atendimento”, menciona. “São informações de sa´de que nos ajudam a tomar decisões e adotar estratégias. Muitas vezes temos que acionar outras secretarias, como Educação, Assistência Social, Conselho Tutelar. É um trabalho conjunto, interdisciplinar”.

MAIS NOVIDADES EM BREVE
Mais do que a celeridade durante os atendimentos, os tablets também deverão acelerar muito em breve a dinâmica de marcação de consultas nos postos de saúde. “Com o prontuário eletrônico, não existirá mais papel aqui. A partir da instalação, automaticamente, as marcações serão feitas no próprio domicílio e as informações já chegam até a recepção do posto, alimentando e organizando de forma mais rápida a fila de espera”, explica.